A Secretaria de Saúde de Unaí (Sesau) realizou, nesta quinta (23/4), capacitação com agentes comunitários de saúde (ACS), agentes de combate às endemias (ACE) e profissionais da Atenção Primária, com o objetivo de reforçar as ações de enfrentamento à febre amarela no município. A mobilização ocorre após a confirmação de casos da doença em primatas não humanos (macacos), o que indica a circulação do vírus na região.
O treinamento reuniu, no auditório da Câmara Municipal, 100% dos agentes que atuam nas zonas urbana e rural, com o objetivo de alinhar estratégias, orientar sobre os protocolos de atuação e intensificar as medidas de prevenção, especialmente nas áreas mais vulneráveis.
De acordo com o secretário municipal de Saúde, José Juliano Espíndula, a situação exige atenção imediata. “Já temos confirmação de morte de macacos por febre amarela no território, o que indica que o vírus está circulante. O macaco é vítima, assim como o ser humano. Quem transmite a doença é o mosquito. Nosso objetivo é impedir que esse vírus chegue à zona urbana”, destacou.
Monitoramento e alerta precoce
Durante a capacitação, foi reforçado o papel dos macacos como “sentinelas” da doença. A morte ou adoecimento desses animais serve como alerta para a presença do vírus no ambiente.
O médico veterinário do Centro de Controle de Zoonoses, Fernando Costa, explicou a importância da notificação rápida. “Quando identificamos um macaco morto ou doente, conseguimos agir com rapidez, fazer a coleta de material e mapear a área. Isso permite detectar precocemente a circulação do vírus e evitar casos em humanos”, afirmou.
Como ferramenta de apoio, foi apresentado aos agentes o aplicativo SISS-Geo (Sistema de Informação em Saúde Silvestre), desenvolvido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que permite registrar e georreferenciar ocorrências de animais silvestres doentes ou mortos. As informações são enviadas diretamente às autoridades de saúde, agilizando a resposta das equipes.
Vacinação é a principal forma de prevenção
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Sheila Mendes, destacou que a vacinação continua sendo a medida mais eficaz contra a febre amarela. “A vacina tem eficácia superior a 90% e garante proteção ao longo da vida. Nosso foco agora é intensificar a cobertura vacinal, principalmente na zona rural”, explicou.
Equipes de saúde vão realizar visitas domiciliares para verificar os cartões de vacinação e imunizar a população que ainda não recebeu a dose. Em casos de recusa, será adotado um termo de responsabilidade, garantindo o registro da orientação prestada pelas equipes.
Sintomas e cuidados
Os sintomas iniciais da febre amarela são semelhantes aos de outras arboviroses (como dengue), incluindo febre, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas e cansaço. Em casos mais graves, podem ocorrer complicações hepáticas e hemorragias.
A orientação é que a população mantenha a vacinação em dia, utilize repelentes, roupas de manga comprida em áreas de mata e evite contato com animais silvestres, especialmente se estiverem doentes ou mortos.
Ação integrada
A estratégia adotada pelo município inclui monitoramento de áreas de risco, busca ativa de casos, coleta de amostras, mapeamento geográfico e ampliação da vacinação.
“Estamos em uma verdadeira força-tarefa. Nossos agentes estão preparados para atuar de casa em casa, orientando a população e garantindo que ninguém fique desprotegido”, reforçou o secretário.
Por fim, as autoridades de saúde do município seguem acompanhando a situação e orientam que qualquer ocorrência de macacos doentes ou mortos seja comunicada imediatamente, especialmente ao Centro de Controle de Zoonoses, pelo telefone 3676-4615 (com WhatsApp).
Se for possível, tirar fotos do macaco morto e enviar a localização. E muito importante: não tocar de jeito nenhum no animal e nem enterrá-lo.












